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Primus

n_primusUm chimpanzé apreendido em um navio, passa a observar os seres humanos e a imitá-los, tornando-se um deles e entrando para o show business. Depois de sua adaptação, no auge de sua carreira artística, apresenta uma palestra contando sua experiência.

Por este breve resumo, o espetáculo Primus já instiga uma grande curiosidade. Quando acrescentamos as informações de que a encenação é baseada no conto Comunicado a uma Academia de Franz Kafka, e que a Boa Companhia de Teatro está há dez anos em cartaz com este espetáculo, a qualidade da peça passa a ser inegável.

Quatro atores alternam suas interpretações entre o homem e o macaco, mesclando tambores, gritos, sapateados, músicas e imagens contemporâneas. O trabalho corporal e vocal precisos, com cenário e figuro simples, ambienta a encenação entre o caos e a melancolia.

Pedro, o vermelho, é um macaco que é apreendido por tripulantes de um navio e seu destino será um circo em terra firme. Enjaulado, o macaco sofre alguns abusos dos marujos como ser queimado com cigarro, forçado a ingerir bebidas alcoólicas e ainda ouvir todo o tipo de ofensa. Ele percebe então que imitar os humanos além de não ser nada difícil, seria sua salvação.

O espetáculo envolve o público com seu humor e procura despertar uma reflexão sobre a tão valorizada superioridade da inteligência humana e sua suposta liberdade, mas que despreza a natureza e seu ancestral mais direto, revelando a faceta mesquinha, egoísta e melancólica da humanidade.

Woody Allen

allen_woodyDevo primeiramente confessar que nunca fui muito com a cara deste judeu narigudo que usa óculos pretos e grossos. Nunca assisti fervorosamente a seus filmes, nem conhecia seu famoso senso de humor único e refinado. Para mim, ele era um completo estranho. Até que uma força do destino coloca em minhas mãos um de seus livros de contos : “Side Effects” de 1975. Curiosa, comecei a ler e logo fiquei fascinada.

Em seus textos pude conferir todo o excêntrico humor de Woody Allen, que é baseado em situações cotidianas vividas por pessoas aparentemente normais, mas sempre com algum parafuso a menos. Recheadas de referências históricas, literárias, pops e atuais, as situações mais inusitadas ganham vida com uma pitada de crítica à sociedade contemporânea e seu consumo desmedido, suas neuroses esquizofrências e seu apego pela aparência. Os contos cativam e alegram, com uma boa carga de ironia e sadismo, perfeitos para quem busca um bom texto. Super recomendado!

Falta de assunto

paranatvNão é de hoje que o jornalismo da RPC pode ser comparado ao do Jornal Hoje: matérias de comportamento, culinária, curiosidades e outras inutilidades. Realmente um desperdício para um dos poucos espaços existentes para tratar das problemáticas do estado.

Mas nesta quarta-feira não pude conter minha revolta. o telejornal apresentou duas matérias falando sobre hidratação no inverno. A primeira sobre os cuidados com os lábios rachados, que não se devia passar a língua e sim usar batons adequados.

Pouco depois outra matéria falava sobre a hidratação da pele do corpo, que precisa de mais atenção. Em seguida, um link ao vivo com uma dermatologista esclarecendo dúvidas do público. Nessa brincadeira toda, cerca de 10 minutos foram gastos pra falar de hidratação. Me descupem, mas é muita falta do que falar, não?!

meio ambienteÉ hoje. Dia cinco de junho. E o Google não lembrou. Ou simplesmente não é uma data importante para uma mega empresa. Aniversário de artistas, eventos científicos e finais de campeonatos de futebol devem dar mais créditos para o site que o dia do Meio Ambiente, afinal. Acontece exatamente como o Dia da Educação, motivo de post em abril. Ninguém se lembra. Ou quando lembra faz passeata, inaugura uma praça ou um projeto em alguma escola.

É cada vez mais importante que as pessoas incorporem estas atitudes diariamente, que a educação ambiental seja parte do currículo das escolas. Que todas as cidades realizem a coleta seletiva do lixo, que os cidadãos separem seu lixo em casa. Que as prefeituras tratem o esgoto das casas, que as pessoas não joguem seu lixo à céu aberto ou nos rios. O problema é mudar velhos hábitos. O problema é encarar que cada pequena atitude pode ter grandes consequências.

É preciso parar de explorar comercialmente a sustentabilidade e a preocupação ambiental, e sim gerar mais debate e mais atitudes.

Oasis em Curitiba

oasisMesmo bastante doente e com o corpo muito dolorido devido à Benzetacil, lá estava eu no domingo, dia 10, na Arena Expotrade para assistir ao show de umas das maiores bandas de rock do mundo. Não é minha banda favorita, mas é necessário admitir que eles têm uma importância fundamental para a música nas últimas décadas.

Chegando ao local, a banda Cachorro Grande já estava no palco. Me pareceram pouco entusiasmados com a própria apresentação e a todo momento exaltavam o Oasis. No mínimo estranho. O cover de Helter Skelter anunciava que seria uma noite de Beatles. Ao contrário de outros amigos que fizeram questão de não assistí-los eu gosto sim da banda e o show foi ok.

Num intervalo rápido, Oasis sobe ao palco com Fucking the Bushes. A melhor introdução de show que já ouvi. Por isso eu já sairia feliz de lá. A segunda canção, Rock n’ Roll Star empolgou o público, que logo iria esfriar com a voz sem empolgação e falta de simpatia de Liam. Num show um pouco enrolado, em que apenas os grandes fãs cantavam as músicas e se empolgavam, alguns clássicos surgiram para unir o público novamente.

O bis foi a melhor parte. Don’t look back in anger consagrou o irmão mais velho, mais bonito, mais simpático e mais competente, Noel, como a grande figura da banda. Champagne Supernova também levou a não tão grande multidão à emoção. E a muito bem executada I am the Walrus foi cantada por poucos, mas fez a banda conquistar um pouco mais da minha simpatia.

No fim das contas, é claro que valeu a pena. Show sempre é show. Oasis é uma grande banda. Noel é um grande músico. Liam é um bom vocalista poser. E as músicas deles são mesmo ótimas. Mesmo faltando aquela freneticidade toda de um show de rock, voltar pra casa sem voz foi prova de um excelente domingo.

Dia da Educação

leituraHoje é 28 de abril, Dia da Educação. Você certamente não sabia. Ninguém sabia. E essa é a maior prova de que a educação de qualidade ainda não é prioridade para a sociedade brasileira.

Quando a educação for prioridade, de verdade, para os brasileiros, o Brasil vai ser um país menos desigual e com mais oportunidades. Haverá mais emprego, mais saúde, mais renda e menos violência. Os índices de mortalidade infantil serão menores, crianças e jovens estarão menos expostos às drogas e ao tráfico.

Porque tudo começa por uma educação de qualidade. O que significa um currículo escolar mais adequado às necessidades de hoje, professores mais bem preparados e bem remunerados, escolas mais bem equipadas e bem cuidadas, alunos mais interessados e mais alunos concluindo o ensino fundamental, pais mais atentos à educação dos filhos, mais horas de aula e menos repetência.

No dia em que cada um de nós acreditar que vale a pena lutar por uma educação de qualidade, nós vamos escrever um novo futuro para o Brasil. Que tal começar hoje? Não poderia existir dia melhor.

* Esse texto foi extraído da Folha de S. Paulo há alguns anos, era uma propaganda, e infelizmente o recorte não me permite citar corretamente a fonte. Mas tá aí. Hoje é Dia da Educação. E eu só ouvi falar no Dia da Sogra na televisão. Infelizmente é a mais pura verdade, a educação não está na pauta da mídia. Repasse este texto, vamos refletir sobre a importância desse dia para a sociedade.

A capital da fé

aparecida21No úlitmo dia 19, estive na cidade de Aparecida, interior de São Paulo. Conhecida como a capital da fé, a cidade é assim chamada porque em 1717 pescadores teriam encontrado uma imagem de Nossa Senhora dentro do rio, e a partir de então recebido muitas graças, e todo o vilarejo passou a adorar a santa aparecida que realizava milagres.

Depois de quase 300 anos, muita coisa mudou. A adoração à santa só aumentou, assim como seus santuários, até termos a enorme Basílica de Nossa Senhora Aparecida (foto ao lado), que recebe anualmente milhões de fiéis do país inteiro, fazendo ou cumprindo promessas, ou simplesmente cultuando o mito da padroeira do Brasil.

A paisagem impressiona pela beleza da construção, pelo número de fiéis, pelo tamanho da fé das pessoas, mas, principalmente, pelo paradoxo que se instala, pois, ao lado do apego religioso opera um grande sistema capitalista de venda de velas, lembranças, livros, dvds e outros artigos variados. Todos produtos oficiais da administração do local, que podem ser adquiridos numa loja logo em frente a Basílica.  E tudo com a imagem da santa, claro.

Em um episódio da Bíblia, Jesus expulsou comerciantes que tinham suas barracas em frente ao templo, pois eles usurpavam o dinheiro dos fiéis, enganando-os com falsas promessas e produtos ligado à fé, mas que não representavam nada. Alguns metros adiante da Basílica, em um espécie de shopping para os romeiros, não vejo nada além de puro consumismo inútil. Tudo em nome da fé, claro.

slumdog-millionaireDepois de algum tempo, finalmente assisti ao grande vencedor do Oscar 2009: “Quem quer ser um milionário”. Um filme que chegou despetencioso e conquistou corações. Inclusive o meu. A história do menino Jamal, um pequeno favelado da Índia, que sobrevive a muitas aventuras ao lado de seu irmão Salim e da bela Latika é fascinante. Os cenários e paisagens por onde os garotos passam são muito belos, e as dificuldades que sofrem ao serem explorados e viverem nas ruas são tocantes.

Toda essa narrativa nos é passada através das perguntas que Jamal acerta em um programa como o “Show do Milhão”. Poucos acreditam que o favelado seja tão inteligente para respondê-las, acusando-o de fraude, mas tudo não passa de um jogo do destino, em que as situações vividas pelo garoto coincidem com as questões apresentadas. Com uma bela história de amor ao fundo, que contribui para o final previsível do filme, “Quem quer ser um milionário” me comoveu e divertiu ao mesmo tempo.

Com claras influências de filme “Cidade de Deus”, tanto na fotografia, quanto nos enquadramentos e cenas, o filme é belíssimo, os atores mirins tem atuações ótimas e o retrato da Índia é cru sem ser apelativo. Porém, gerou bastante polêmica na Índia por retratar a pobreza, a favelização, o roubo, a miséria que muitos de seus habitantes vivem. Assim como no Brasil, há muita dificuldade em assumir esta identidade subdesenvolvida, o que acaba por rebaixar ainda mais essa condição. Não há mal algum em sermos mais pobres, mais suados e mais ferrados. Negar esta condição contribui para a falta de identidade de um povo que insiste em parecer com os outros.

Polêmicas à parte, o filme conquista apesar de alguns lugares comuns e da bizarra dança durante os créditos finais. Ainda não assisti ao outros concorrentes para justificar o prêmio de melhor filme, mas com certeza este é um filme que vale a pena ser visto.

Sin Sangre

sin-sangreLogo ao entrar no Teatro da Reitoria, me deparo com uma enorme tela na frente de todo o palco, e já disparo que seria mais uma peça com algumas interações em vídeo, em que os atores ficam atrás do tecido. Logo nas primeiras cenas do espetáculo, meu queixo vai ao chão e quase não consigo acreditar no que vejo. A perfeita interação dos atores com as imagens projetadas, que compõem os cenários do espetáculo, na tela a frente e também em outra atrás deles é incrível. Não parece mais que estamos vendo uma peça de teatro, mas sim no cinema. Cenas em movimento, perspectivas, utilização de vários planos e cenários muito realistas causam espantos de admiração.

A narrativa da peça se dá em dois tempos. No primeiro, Nina é uma pequena garota que fica escondida em um porão de sua casa enquanto três homens resolvem tirar satisfações com seu pai. O irmão da garota tenta intervir no iminente assassinato de seu pai, mas nada consegue e os dois acabam sendo mortos. Antes de partir, um dos homens encontra a pequena na escuridão do porão, e resolve deixá-la sem avisar ninguém. Porém, com o incêndio provocado na casa por outro bandido, imagina que sua compaixão resultou inútil.

A segunda parte da peça se passa muitas décadas depois deste episódio e traz Nina sobrevivente do incêndio e em busca do seu salvador, mas, para um grande conflito interno, o assassino de seu pai e irmão. Quando o encontra, os dois passam muitas horas conversando sobre amor, compaixão, solidão, culpa, vingança e como suas vidas seguiram depois daquele instante em que se encontraram no porão. Ao fim, os dois em um quarto de hotel, deitados na cama, Nina efetiva sua vingança, sem sangue.

Confesso que achei a história um pouco arrastada, por demais dramática e cansativa, mas a maneira como os personagens atuam, como essas cenas são construídas, as perspectivas, é realmente inovador. Um grande trabalho técnico que merece ser admirado. Como a companhia é chilena, o espetáculo é em espanhol, mas as legendas projetadas na tela salvam nossas vidas. Esperamos o retorno desta companhia fora do Festival, trazendo outros espetáculos com esta técnica incrível.

* Não posso deixar de expressar aqui minha crítica à organização do Festival de Curitiba, pois a peça “Rock n’ Roll” a qual eu assistiria no lugar de “Sin Sangre” foi cancelada pelos produtores do espetáculo segundo os próprios por desrespeito e falta de organização da produção do Festival. Pouca satisfação foi dada aos espectadores, que, pelo menos, conseguiram ser ressarcidos.

“Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou.
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor.
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade…
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar.
Porque são tantas coisas azuis
Há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe…
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz.”

Vinícius de Moraes

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