Sin Sangre

sin-sangreLogo ao entrar no Teatro da Reitoria, me deparo com uma enorme tela na frente de todo o palco, e já disparo que seria mais uma peça com algumas interações em vídeo, em que os atores ficam atrás do tecido. Logo nas primeiras cenas do espetáculo, meu queixo vai ao chão e quase não consigo acreditar no que vejo. A perfeita interação dos atores com as imagens projetadas, que compõem os cenários do espetáculo, na tela a frente e também em outra atrás deles é incrível. Não parece mais que estamos vendo uma peça de teatro, mas sim no cinema. Cenas em movimento, perspectivas, utilização de vários planos e cenários muito realistas causam espantos de admiração.

A narrativa da peça se dá em dois tempos. No primeiro, Nina é uma pequena garota que fica escondida em um porão de sua casa enquanto três homens resolvem tirar satisfações com seu pai. O irmão da garota tenta intervir no iminente assassinato de seu pai, mas nada consegue e os dois acabam sendo mortos. Antes de partir, um dos homens encontra a pequena na escuridão do porão, e resolve deixá-la sem avisar ninguém. Porém, com o incêndio provocado na casa por outro bandido, imagina que sua compaixão resultou inútil.

A segunda parte da peça se passa muitas décadas depois deste episódio e traz Nina sobrevivente do incêndio e em busca do seu salvador, mas, para um grande conflito interno, o assassino de seu pai e irmão. Quando o encontra, os dois passam muitas horas conversando sobre amor, compaixão, solidão, culpa, vingança e como suas vidas seguiram depois daquele instante em que se encontraram no porão. Ao fim, os dois em um quarto de hotel, deitados na cama, Nina efetiva sua vingança, sem sangue.

Confesso que achei a história um pouco arrastada, por demais dramática e cansativa, mas a maneira como os personagens atuam, como essas cenas são construídas, as perspectivas, é realmente inovador. Um grande trabalho técnico que merece ser admirado. Como a companhia é chilena, o espetáculo é em espanhol, mas as legendas projetadas na tela salvam nossas vidas. Esperamos o retorno desta companhia fora do Festival, trazendo outros espetáculos com esta técnica incrível.

* Não posso deixar de expressar aqui minha crítica à organização do Festival de Curitiba, pois a peça “Rock n’ Roll” a qual eu assistiria no lugar de “Sin Sangre” foi cancelada pelos produtores do espetáculo segundo os próprios por desrespeito e falta de organização da produção do Festival. Pouca satisfação foi dada aos espectadores, que, pelo menos, conseguiram ser ressarcidos.

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