A chegada de janeiro provoca em todos reflexões, esperanças, promessas. As pessoas fazem balanços do último ano procurando sinais de que o próximo será ainda melhor. É incrível como uma simples mudança no calendário pode afetar nossos sentidos e sentimentos. De repente parecemos mais fortes, mais dispostos, mais otimistas. Viagens, festas, loucuras e bebedeiras marcam a celebração do novo, do que ainda está por vir. Este ano, depois de muitos reveillons na praia, fiquei em Curitiba com a família. Um tanto deprê, confesso, mas não por isso menos reflexivo. Fui tomada pelo sentimento de que a vida realmente dá muitas voltas, e, quando menos percebemos, estamos de volta ao mesmo lugar. E que quando o relógio marca a zero hora, absolutamente nada muda. O que muda é você. Isso me fez perceber que a frase de Drummond nunca fez tanto sentido: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”.
Não é preciso chegar o primeiro de janeiro para que a vida mude. Pode ser que em março, agosto ou mesmo em dezembro sua vida lhe traga surpresas, decepções e desafios, e tudo mude completamente. É sempre preciso estar preparado. Não se pode adiar a vida, ela acontece a todo instante e não apenas quando fingimos deixar as trapalhadas de um ano velho de lado e fazer tudo diferente no que está começando. Esse pseudo otimismo de ano novo me deixa um pouco mau-humorada, mas isso é normal. Também não vou fazer filosifia barata dizendo que é preciso fazer de cada dia um ano novo, afinal sabemos que assim como mudanças, a vida também está cheia de estagnação. Mas espero que eu consiga desvendar cada oportunidade de mudança, e que o ano novo aconteça naturalmente, como os ciclos, as estações do ano, os voos das andorinhas, e eu esteja pronta para ele. “É preciso estar atento e forte”.
É claro que este texto foi uma boa desculpa pra tentar retomar esse blog. Mais uma promessa de ano novo, mais uma prova de que eu também sou clichê.